[parte 01] Amsterdam → 2002: relAtos eFeitos de Muita Viagem

Tempo de leitura: 3 minutos

Você está na primeira parte da viagem: Amsterdam.

(Ainda não viu o Prefácio? Volte 01 post → [parte 00], senão o fiscal te pega.)

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Que Tudo Se Realize

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Amsterdam – Holanda, 1º. Janeiro. 2002

Fogos para celebrar a chegada do ano de novo.

O ar frio refrigera os pulmões da multidão – pessoas de todo o mundo se aglomeram, felizes por enquanto.

Procuro um cartão telefônico na pochete, para terminar de enrolar o baseado, que alegria, no meio da rua, cercado de anônimos.

A erva maravilhosa e legal fora escolhida a dedo: no balcão do coffee shop havia um cardápio. No cardápio, penduradas em saquinhos plásticos, inflorescências devidamente identificadas – de diversas espécies, quatro delas por página. Estava em “Uau, deixa-me ver… Humm… He, he, he!” com sorriso e olhos brilhantes, quando escolhi com o dedo: ‘White Widow’ [não importa o significado]. O garçom me trouxe um pacotinho recheado e lho paguei.

Feliz ano-novo!

Van Gogh — Noite Estrelada

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Passagem do Ano

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Na virada, havia encontrado dois caras e uma garota brasileira. Procurei manter-me próximo ao grupo, ao menos fisicamente. Eles já se conheciam, moravam pela Europa e se encontraram em Amsterdam para virar o ano. Estávamos hospedados no mesmo lugar – um albergue no Distrito Vermelho que fecharia as portas um pouco mais tarde porque réveillon. Apesar da gentileza do albergue, resolvemos não voltar antes do amanhecer.

Estava em êxtase diante do ano que vem, elevado à nona potência pelo poder da planta.

Visitamos vários coffee shops. Em nosso último deles sentamos ao fundo, aconchegante. Às três e trinta todas as pálpebras debruçaram-me sobre a mesa, protegido na companhia dos novos amigos…

Van Gogh — Terraço do Café à Noite

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Intensa Revolução Pessoal

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— Que lugar fantástico!

Pela primeira vez via neve nesta vida. É como andar de bicicleta, entre uma encarnação e outra.

— Vê lá!.. As putas estão nas vitrines!

Deplorável ou louvável, com certeza não é hipócrita – continuei em silêncio com o monólogo.

Procuro escolher o sabor da infusão que me aqueceria as extremidades (nunca houvera frio tão intenso, embora estagiasse no inverno de Curitiba). Mais uma nova: mushroom tea [chá de cogumelo] em saquinho. Tive de colocar em prática o americano aprendido em aulas uma pior que a outra: “Um desses, por favor.”

Também era a primeira vez que saía do Brasil, onde as amizades deixam saudades e, somente à distância, incentivam ir além.

O que comer por aqui? Tudo é caro na tão nova moeda – o euro entrara em vigor. Assustaram-me os preços e acabei mal comendo.

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Oi?

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E o museu do Van Gogh, visto em dez minutos, que foi aquilo?

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amsterdam

Deixando a Cena Acumulado

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Preparo o último baseado holandês no beliche do albergue. Ainda de madrugada, com 75 litros de mochila caminho em direção duvidosa à estação central. Acendo o baseado para fazer companhia. Qualquer distância pesaria, carregando tanto.

Chego adiantado, a estação central fechada a portões. Por aí poucas pessoas e uma frágil sensação de medo. Que faria se algum xenófobo bairrista reivindicasse a posse do metro quadrado que eu ocupava? Percebo o rosto bonito da jovem castigada pelo frio, a feição alucinada por alguma droga.

05h00: os portões se erguem automáticos. Da estação pego o primeiro metrô até o aeroporto.

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[fim da parte 01]

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[próximo capítulo:]*

München Flughafen [aeroporto de Munique]

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Chego à Alemanha exalando maconha, vestindo uma camiseta (GG) tie-dye verde e azul – presente do amigo João.

Molambo, sou encaminhado a uma salinha pela seriedade da polícia alemã. Pedem para tirar das botas o pé esquerdo e o levam junto com a bagagem de mão.

(…)

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* Continua no próximo post → [parte 02] Willkommnen – [email protected] a Alemanha!

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