☠ Eu Sou Um Drogado? Ah, tá.

Tempo de leitura: 11 minutos

Quando reencontrei uma tia, pela primeira vez depois que ela começou a ler meu e-book relAtos eFeitos, fui recepcionado assim:

— Eu não sabia que tinha um sobrinho drogado!

Legal, né?

Eu disse algo do tipo “Não sou mais ‘drogado’, tia.” porque era tudo o que a ocasião permitia – eu já estava rotulado, antes de mais nada…

 .

Então Beleza

Antes de mais nada, agradeço a essa minha tia, a quem tanto devo, pelo imenso suporte material e espiritual dedicados a mim nesta vida. Lamento se a decepcionei, mas…

…não encontrei a menor brecha para expor meu ponto de vista pacificamente.

Tudo o que fosse contrário a “Verdade, tia. Onde eu estava com a cabeça?! Eu sou/fui um drogado completamente sem-noção!!!”, seria considerado tolice. Como eu não tinha a pretensão de ser o dono da verdade alheia, naquele momento escolhi o silêncio.

Entretanto, resolvi escrever este artigo, pois acredito que ele possa ser útil para mais alguém além de mim. (Mesmo que muitas pessoas não gostem do que um sujeito drogado anda escrevendo por aí, ainda que seja a respeito dele mesmo).

 

Parte 1: SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO [email protected]!

Estigma de Rei

Bem, vamos lá. O que você entende por drogas? E o que vem a ser um sujeito drogado?

Droga, para mim, é algo que não presta. Analogamente, drogado seria um sujeito imprestável. Logo, me senti postumamente ofendido por minha tia…

Postumamente? Sim (explico, com sua licença poética:) eu não fumo faz um tempão. Anos. Passado, morto, enterrado.

Continuo sendo maconheiro? Uma vez “imprestável” (só que não), danei-me pelo resto da vida? Lamentavelmente, aos olhos de alguns muitos, sim…  ;(


Estigma S. m.

[Figurado] O que pode ser considerado ou definido como indigno; desonroso.

[Antigo] Marca que era feita com ferro quente nos ombros ou braços dos bandidos, criminosos, escravos etc.

(Fonte: www.dicio.com.br)


Contudo, embora minha autoestima precária permita que às vezes eu me sinta um imprestável asqueroso, não considero a maconha responsável por meus fracassos e fraquezas, em absoluto.

Quando fui ‘maconheiro’, nem de longe eu me considerava um drogado. Eu me sentia mais como um rei, pra falar bem a verdade.

 

Parte 2: TODOS COMETEMOS HÁBITOS

Um Mundo Inteiro Drogado

Microondas é droga?!

 

Vou mostrar uma lista de coisas que, para mim, não presta. Mas antes preciso esclarecer três coisas:

1 – perceba que a maconha não vai entrar nessa lista;

2 – por favor, não lhe estou pedindo para concordar comigo: trata-se de uma lista muito pessoal, só minha, puro ego;

3 – que fique bem claro: não estou recriminando/julgando os usuários de tais ‘drogas’ – isto é, o mundo inteiro.

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Minha Lista de Drogas

  •  açúcar refinado (nº 1, disparado);
  •  bebidas alcoólicas;
  •  a imensa maioria dos remédios alopáticos (mesmo sendo necessários, não deixam de ser drogas pesadas, a meu ver);
  •  fanatismo em geral: religião; times de futebol; política; etc.
  •  margarina;
  •  pão francês;
  •  cigarro;
  •  microondas;
  •  …

A lista continua indefinidamente, a depender do meu humor no momento.

Percebe como essa lista é muito pessoal? Percebe como ela não me torna uma pessoa melhor que as outras?

A propósito, eu já experimentei todas as drogas acima listadas.

Açúcar refinado é tipo uma lei econômica-sócio-cultural. Servem até em festinha de criança! Há diabé[email protected], pasmen4!!!! (elevado à quarta potência), que oferecem essa droga para os próprios filhos e netos, na forma de docinhos inocentes. Cuti-cuti.

Bebida alcoólica. Quer droga mais clichê?

Remédios alopáticos. Encontrados onde? Nas melhores drogarias do seu quarteirão.

Religião, futebol, política… Peguei pesado? Eu não acho. (Estou falando de fanatismo, leia bem a lista)

Margarina + pão francês: combo para acelerar sua decomposição e retorno para a terra.

Cigarro (industrializado). Alguém aí se arrisca a defendê-lo?

Forno de microondas. — O quê?!!!! Como ousas chamar meu microondas de droga?!! Seu, seu… Maconheirozinho irresponsável!!!

Pois é, lamento lhe informar… Mas o microondas nem é o problema. O problema é utilizá-lo para aquecer qualquer tipo de alimento para as crianças, que são seres inocentes. Sinta-se livre para destruir seu próprio alimento, mas poupe as crianças dessa aberração tecnológica.

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A (Famosa) Analogia do Martelo

MUITO IMPORTANTE: Antes de prosseguirmos com esta viagem pelo mundo das drogas, ESCLAREÇO QUE as drogas, em si, não representam mal algum. São neutras. Tal qual um martelo, objeto inanimado que pode ser usado como ferramenta (para martelar pregos, certo?) ou como arma (uma forte martelada em alguém pode ser bizarro, não?).

— Que tal se acabássemos com a produção de martelos para evitar que crimes horríveis aconteçam?

— Melhor ainda, vamos prender as pessoas que compram martelos!

Voltando à viagem: as drogas, em si, não representam mal algum. São neutras. Elas estão por aí, sendo produzidas na medida em que a demanda do mercado exige; legal ou ilegalmente.

Nenhuma autorização legal diminui os impactos negativos do consumo irresponsável de qualquer um dos itens listados acima.

Nenhum artigo de jornal ou revista (científico ou não) diminui os impactos negativos do consumo irresponsável de qualquer um dos itens listados acima.

Nenhum costume culturalmente aceito e amplamente difundido diminui os impactos negativos do consumo irresponsável de qualquer um dos itens listados acima.

— Então vamos fabricar martelos fofinhos!

– FIM da Analogia do Martelo –  (famosa)

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[email protected]Eeeu?! Imagina!!! Hahaha!

[email protected]? Eeeu?!

Pois é…

Imagine se eu rotulasse de ‘drogado/drogada’ as pessoas que usam coisas que eu considero uma droga. Que beleza seria, não? Minha mentalidade fomentaria preconceito, discriminação, repúdio, intolerância, et cetera. 

Você certamente não tem absolutamente nada a ver com isso. Santificado seja vosso nome. É de gente como você que o mundo precisa (acho). Mas, a título de exercício, imagine se você rotulasse de ‘drogado/drogada’ as pessoas que usam coisas que você considera uma droga…

[Imaginou?]  .

Sem Ofensas

Eu sei que a gente não deveria se ofender com aquilo que os outros pensam de nós. Mas eu me ofendi.

Aquela sentença, na minha opinião, era um rótulo que demonstrava o quão estreita é a visão de muitas e muitas e muitas pessoas sobre as drogas.

Meu livro fala de tanta coisa interessante, mas o preconceito falou mais alto…

O lado bom disso tudo (gracias, tia, por me fazer enxergar isso) é que eu descobri uma missão* bem interessante: Esclarecer as pessoas sobre DROGAS. Lançar luz sobre um tema ‘proibido’, tabu: uma missão formidável, gracias!

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* Não estou falando de missão de vida, que acho um tema fascinante, mas de um fractal dessa grandiosa missão... 

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Uma Possível Missão

Esclarecer Pessoas:

•  sobre drogas que elas mesmas usam e não percebem;

•  sobre sujeitos drogados que aparecerão na vida delas (mesmo que jamais se deem conta disso);

•  sobre rótulos e preconceitos;

•  sobre consciência limitada e visão estreita do mundo e da vida.

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Parte 3: RELACIONANDO PESSOAS COM DROGAS

Maconha: Um Caso de Amor

Reconheço que a maconha pode sim ser considerada uma droga, assim como todas as coisas já citadas e muitas outras mais.

Quer um exemplo de droga que nunca é mencionado? Relacionamentos amorosos. Aprendemos Aprendi a duras penas o que é se envolver em um relacionamento que é uma droga. Deveria haver campanhas – muitas – alertando os jovens sobre esse perigoso entorpecente alucinógeno, que pode arruinar para sempre a vida de uma pessoa (sim, estou exagerando um pouquinho e debochando muito).

Entretanto, não posso deixar de dizer que meu relacionamento com a maconha foi muito bem-sucedido. Posso garantir que foi uma história cheia de vida e com final feliz.

Trouxe-me coragem, lucidez (sim, lu-ci-dez!), maior sintonia com a natureza e com um estilo de vida saudável, criatividade (isso não é novidade), paz interior, elevação de consciência, amizades incríveis (é uma atividade social), descontração, entre outros.

Ah, importante: NÃO ESTOU FAZENDO APOLOGIA, não. Obrigado.

♪ “Muito Obrigado, eu já estou calejado…” ♫

A maconha pode ser/se tornar um problema para os usuários. Por isso, embora eu não a culpe, tampouco a recomendo. As variáveis são infinitas, então, assim como nos relacionamentos (e em tudo o mais na vida), as pessoas devem assumir inteira responsabilidade por seus atos e seus efeitos.

Infelizmente, nem todos os relacionamentos com substâncias terminam bem.

Infelizmente, nem todos os relacionamentos com pessoas terminam bem.

Alguns são tóxicos. Alguns são saudáveis. O que faz bem para os outros, talvez seja péssimo para você. E vice-versa. Sintonias e desarmonias talvez estejam propositalmente acima da capacidade humana de compreensão. Incognoscíveis.

Sabe qual é o problema da maconha?

“O problema da maconha é quando a maconha se torna um problema. De resto, ma frênd, tá tudo certo.” – Ramiragem B. C.

E isso se estende a todas as demais drogas citadas ou não neste artigo.

Alguns dizem que estamos no início de uma Era em que a Lei do Karma irá por água abaixo, mas nos dias de hoje ainda cabe a mensagem a seguir, só pra fechar essa analogia das drogas com relacionamentos:

“Ninguém lesa alguém nos tesouros afetivos sem dolorosas reparações.” – Emmanuel/Chico Xavier 

Alguém duvida?

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Lição de Casa: Não recriminar nem a maconha, nem os relacionamentos.

Por piores que possam ser, trazem aprendizados incríveis, recompensas para toda uma vida e podem (eu disse PODEM) ter final feliz.

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Parte 4 (e última de todas): UM MALUCÃO CARETAÇO

Meu Exemplo É Um Mau Exemplo?

Para quem acha que estou dando um mau exemplo, ao falar abertamente sobre drogas, quero deixar bem claro que,  muuuuito longe de ser impecável:

  • Eu não fumo (nada).
  • Eu não bebo.
  • Não tenho religião definida, graças a Deus.
  • Não torço para nenhum time de futebol.
  • Eu cago para a política.
  • Uso remédios alopáticos, quando imprescindível.
  • Açúcar branco não entra em minha casa; tampouco margarina e pão francês.
  • Se for para aquecer no microondas, prefiro comer frio, obrigado.
  • Posso mudar de opinião a qualquer momento.

 

Lamento muito se a decepcionei, família, mas…

Eu sou assim

Quem quiser gostar de mim

Eu sou assim…

“Eu costumo dizer que meu tempo é hoje; eu não vivo no passado, o passado vive em mim…” – Paulinho da Viola

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Moral da História

Este é um teste de livre-arbítrio – se você não acertar, beleza. 😉

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Qual moral da história você escolhe?

A) Seja impecável a vida inteira e agrade aos outros; todos eles.

B) Viva. Sua. Vida. Mas sorria, você está sendo [email protected] (o tempo todo!!!).

Pílula azul ou vermelha?

Peço desculpas tardias a minh’alma, e antecipadas a [email protected] que dão permissão para ofender-se com uma opinião alheia:

Entschuldigung!

#vidasegue

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Brainstorm de Títulos

Quando estava bolando este artigo, pensei em diversos títulos – é um processo divertido :-D. Os finalistas estão a seguir:

  • Eu Sou Um Drogado? Ah, tá.
  • Seu Sobrinho Drogado Chegou! Uhúú!
  • Sabia Que Você Também Usa Drogas?
  • Diga-me Quais São Tuas Drogas e Eu Te Direi Quem És! 

Qual desses você escolheria? Tem alguma outra sugestão? 

(Não temais, não sereis amaldiç[email protected] se escolherdes alguma opção que se refira a ‘droga’.)

 

P. F. (Pra Fechar)

Estou preparando um dossiê* sobre minha visão e experiência com a maconha. Inscreva-se no blog para recebê-lo em primeira mão, assim que estiver pronto, um dia desses.

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* Chique demais, né? “Estou preparando um dossiê…” Hahahah! Me aguarde!

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Duvido que você tenha coragem de deixar seu comentário num post desses, mas o espaço está aí embaixo.